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Avaliação da KTM 390 Duke - Pronta para a briga

08/04/2019 02:00  - Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias
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KTM 390 Duke tem virtudes para superar as rivais, mas sofre com o valor do dólar


por Eduardo Rocha
Auto Press

A KTM 390 Duke tem de encarar uma briga duríssima no mercado brasileiro. O modelo austríaco está na linha de tiro de nada menos que Kawasaki Ninja 400, BMW 310 R e Yamaha MT-03. E com a chegada da nova geração, em meados do ano passado, o modelo passou a contar com algumas características que deram maior poder de atração ao modelo, com uma renovação estética forte e algumas evoluções mecânicas. Mas além das rivais de mercado – elas brigam, na verdade, mundo afora ‑, no Brasil há um outro adversário implacável: a cotação do dólar.

Cada 390 Duke vendida representa um pequeno prejuízo para a Dafra, que controla a marca e monta o modelo no Brasil, na unidade que possui em Manaus. Mesmo que o modelo da KTM seja o mais caro do segmento – custa os mesmos R$ 23.990 da Kawasaki Ninja 400. BMW e Yamaha custam, respectivamente, R$ 21.900 e R$ 21.690. O comportamento do consumidor de esportivas de média cilindrada segue a lógica da familiaridade: quanto mais conhecida é a marca, mais vende. Em 2018, um mercado que emplacou 9,5 mil unidades em 2018, a Yamaha ficou com 77% das vendas, seguida pela Kawasaki com 13%, a BMW com 7% e a KTM, 3%. 

A atual geração da Duke foi apresentada oficialmente no final de 2016, no Salão de Milão. No final de 2017 foi apresentada no Salão de São Paulo e a chegada ao mercado foi em maio de 2018, três anos após o desembarque das primeiras 390 Duke no Brasil. Em relação a antecessora, a nova Duke trouxe algumas mudanças marcantes. A começar pelo visual, inspirado na 1290 Duke. O novo farol em led é dividido verticalmente em duas seções, o que dá um ar meio “Transformers” ao modelo. As abas laterais do tanque também mudaram. Elas ficaram maiores para aumentar o fluxo de ar para o motor. A suspensão dianteira, que já era invertida, agora tem cartucho aberto com amortecimento de compressão e retorno separados. O sistema de freios ainda é ByBre, da Brembo, mas o disco dianteiro passou de 300 para 320 mm.

O que mudou bastante foi o painel, que agora é em uma tela colorida de TFT. A tela, que mais parece um pequeno tablet, alterna automaticamente entre fundo branco e preto de acordo com a luminosidade externa. E ali ficam concentradas as informações como velocímetro, conta-giros, computador de bordo, nível do reservatório de combustível, temperatura do motor e sistema de conexão com celular via bluetooth, que permite espelhar a tela, atender ligações e até ouvir músicas, caso o capacete tenha intercomunicador.

No mais, o modelo manteve o mesmo quadro e a mesma motorização da versão anterior. O chassi é em treliça com subquadro traseiro removível. Já o propulsor é o monocilíndrico de quatro tempos de exatos 373,2 cc. Ele é recheado de tecnologias para redução de atrito como cilindro revestido em nikasil e balancins roletados revestidos de carbono polido – diamond-like carbono. Tem ainda comando duplo no cabeçote, quatro válvulas por cilindro e refrigeração líquida. Com tudo isso, é capaz de render 44 cv de potência e 3,7 kgfm de torque. Números melhores que os da Yamaha, que tem 42 cv, e que a BMW, que tem apenas 34 cv. Já a nova Kawasaki 400 chega a 48 cv.

 

Primeiras impressões

Vocação lúdica

Embora seja um “meio de transporte”, a maior aptidão da KTM 390 Duke é mesmo a diversão. A facilidade do modelo para acelerar, frear, retomar, enfrentar as irregularidades do piso e fazer curvas imprime um sorriso no rosto do piloto mais carrancudo. Existe até um motivo “técnico” para isso. Grande parte da disposição da 390 Duke vem do fato de ela utilizar o mesmo chassi da 200 Duke. Ou seja: ela tem tamanho e peso de uma moto que tem quase metade da sua potência. Com isso, o trabalho da ótima suspensão WP – invertida na frente e monochoque atrás – é muito facilitado. Aliás, o objetivo da mudança dos telescópicos dianteiro foi exatamente torna-la ainda mais ágil nas curvas. 

Outro efeito colateral é que os robustos 44 cv têm de empurrar pouco menos de 150 kg. Isso faz da KTM 390 uma moto nervosa. Se o piloto se deixar levar, cada arrancada em sinal se transforma em largada. Mesmo sendo leve, o modelo tem bom porte e um visual muito imponente – até pela originalidade de suas linhas. Mas, apenas de dispor de dois lugares, o assento do carona não é dos mais hospitaleiros. Ele se resume a uma fina espuma apoiada no para-lama traseiro.

Como uma boa moto média, a 390 Duke consegue se dar bem tanto na estrada quando na cidade. Ela tem uma boa máxima em torno de 160 km/h e encara com facilidade velocidades de cruzeiro em torno de 120 km/h com facilidade. E com uma vantagem de vibrar pouco um motor monocilíndrico. A posição de pilotar também permite encarar trajeto mais demorados sem se cansar. Em ambiente urbano, ela mostra outras qualidades. Ela é ágil nas mudanças de direção e os espelhos não se projetam muito, o que deixa a moto “magrinha” e facilita serpentear trechos de trânsito engarrafados. Uma vantagem que a nova KTM apresenta em relação à sucessora é o ajuste fino do acelerador drive-by-wire. Ou seja: apesar de ser uma moto extremamente excitada, consegue ser muito dócil.


 

Ficha técnica

KTM 390 Duke

Motor: A gasolina, quatro tempos, 373,2 cm³, monocilíndrico, quatro válvulas, comando duplo no cabeçote e refrigeração líquida. Injeção eletrônica.

Câmbio: Manual de seis marchas com transmissão por corrente.

Potência máxima: 44 cv a 9 mil rpm.

Torque máximo: 3,77 kgfm a 7 mil rpm

Diâmetro e curso: 89 mm X 60 mm.

Taxa de compressão: 12,6:1.

Suspensão: Dianteira com garfo invertido com tubos de 43 mm de diâmetro e 142 mm de curso. Traseira monoamortecida com 150 mm de curso fixado na balança. 

Pneus: 110/70 R17 na frente e 150/60 R17 atrás.

Freios: Dianteiro a disco com 320 mm, com pinça radial fixa e quatro pistões. Traseiro a disco com 230 mm, com pinça flutuante e pistão simples. ABS Bosch 9M de série. 

Dimensões: Comprimento, altura e largura não informados. 1,37 m de distância entre-eixos e 0,83 m de altura do assento.

Peso: 149 kg a seco.

Tanque do combustível: 9,5 litros.

Produção: Manaus, Brasil.

Preço: R$ 23.990.

TRÂNSITO LIVRE

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