MotorDream

  • feed
Testes

Chevrolet Astra 2010: Idade da razão

06/09/2009 10:45  - Fotos: Luiza Dantas/CZN
Envie por email

Chevrolet Astra 2010: Idade da razão

Astra reforça seu custo/benefício para manter fôlego no segmento de hatchs médios

por Fernando Miragaya
Auto Press
especial para MotorDream

    No mercado brasileiro de automóveis, antiguidade é posto. Exemplos de veteranos que mantêm relativo sucesso comercial não faltam. Mesmo que concorram em segmentos nem tão baratos. Um caso típico é o Chevrolet Astra. Produzido desde 1998 no Brasil, o modelo é o mais vendido do segmento de hatchs médios há nada menos que 11 anos. O que ajuda a entender a estratégia da General Motors com o dois volumes na linha 2010. Nada de mudanças visuais. A montadora optou por aumentar a potência do motor e rechear a lista de itens de série do Astra. Uma forma de realçar o custo/benefício favorável e manter a boa vendagem do modelo.

    E a estratégia deu resultado a curto prazo. O Astra continua como líder do segmento este ano, com médias de 2.163 unidades mensais. Em julho, devido a prováveis ajustes na produção para a linha 2010, vendeu apenas 1.796. Mas em agosto, primeiro mês cheio com as “ novidades ”, o hatch assinalou  2.793 carros entregues. Desempenho comercial que pode ser explicado pelo preço. O Astra parte dos R$ 44.611 e ganhou ar automático, retrovisor eletrocrômico, regulagem dos faróis e acionamento automático do limpador traseiro ao engatar a ré – quando o limpador do para-brisa estiver ligado. Também integram o “pacote” banco traseiro bipartido, descansa-braço e portinhola de acesso ao porta-malas no banco traseiro. Os opcionais são poucos. Com airbag duplo e aerofólio traseiro, o hatch passa para R$ 46.461. Câmbio automático, pintura perolizada e controle de cruzeiro fazem o Astra saltar para R$ 51.545. O ABS, nem como opcional.


  
  Esteticamente, a GM preferiu não investir. Externamente, o modelo ganhou apenas rodas aro 16, ponteira de escapamento cromada e ovalada e faróis de neblina no para-choque. Por dentro, o quadro de instrumentos agora tem fundo branco e molduras cromadas. No mais, mantém o desenho antigo – defasado duas gerações em relação ao Astra europeu. Mas compete com outros também veteranos. E leva a melhor no preço. O Volkswagen Golf 2.0, que foi reestilizado em 2008 mas também data de 1998, parte de R$ 54.010 e chega a R$ 56.225 com itens similares. O Fiat Stilo 1.8 começa em R$ 49.380 e fica em R$ 52.205. E o Ford Focus GL 1.6, de antiga geração, começa em R$ 44.245.
  
  Só que o hatch da Ford, nesse preço, tem motor de 105/112 cv. Os outros rivais com litragens maiores também perdem na comparação com o Astra. O Golf tem 116/120 cv e o Stilo oferece 112/114 cv. Ainda mais que o Astra recalibrou o velho propulsor 2.0 da Família II da GM – dos anos 80 –, que ficou 12 cv mais potente. Agora, são 140 cv com álcool e 133 cv com gasolina. A idade, nesse caso, fez bem ao modelo.

Ponto a ponto



Desempenho
– Os 140 cv conferem um fôlego invejável ao Astra. Apesar de vibrar muito, o veterano propulsor responde bem ao pedal do acelerador. As arrancadas são bem entusiasmantes, com um zero a 100 km/h em 9,9 segundos. O torque também merece elogios, com os 19,7 kgfm disponíveis já em 2.600 giros, mantendo o motor cheio. A máxima foi de 195 km/h. Nota 9.
Estabilidade – O comportamento dinâmico do Astra não acompanhou o aumento de potência. Nas frenagens bruscas, o modelo mergulha um pouco. Nas curvas, o hatch até torce pouco a carroceria, mas ameaça sair de frente. Só aos 170 km/h, surgem sinais de flutuação. Nota 6.
Interatividade – A GM passou os comandos dos vidros para o descansa-braço das portas, que dá melhor ergonomia. Mas os comandos de altura dos faróis e do quadro de instrumentos, do lado direito do volante, são de difícil manuseio. O modelo oferece ajustes de altura do banco, mas perdeu a regulagem do volante. A visibilidade é satisfatória e o câmbio tem engates curtos e precisos. Faltam porta-objetos. Nota 6.
Consumo – O modelo fez a média de 7,8 km/l com álcool em uso 2/3 na cidade. Bem aceitável para um motor de 140 cv. Nota 8.
Conforto – O modelo oferece um bom espaço para pernas na frente e atrás, mas o vão para cabeças é reduzido. A suspensão absorve bem os buracos. Já o isolamento acústico é ruim e os ruídos do motor e dos pneus são percebidos no habitáculo já em 80 km/h. Nota 7.
Tecnologia – O Astra é de 98 e o motor tem origem nos anos 80. O modelo só recebe airbag duplo como item de segurança e os equipamentos de conforto são os previsíveis dentro da categoria. A retirada do ABS da lista de equipamentos – não aparece nem como opcional – não se justifica. Nota 5.
Habitabilidade – O hatch segue a sina de parecer apertado, o que acontece com outros hatchs da GM, como Corsa e Vectra GT. Há poucos e nada práticos porta-objetos e porta-copos no interior. O vão das portas não são tão amplas nem altos, o que dificulta o ingresso ao veículo. Os 370 litros do porta-malas estão de acordo com o segmento. Nota 6.
Acabamento – O Astra usa plástico na maior parte do revestimento, mas o material aparenta certa qualidade. Além disso, os encaixes e fechamentos são precisos e as raras rebarbas só são encontradas nos painéis das portas. Nota 7.
Design – O modelo tem visual datados dos anos 90 e um jeito antiguinho. Na Europa, o similar da Opel ganha nova geração em Frankfurt, duas à frente do nacional. Nota 5.
Custo/benefício – É o ponto alto do Astra. O modelo parte dos R$ 44.611, é mais barato que todos seus rivais diretos e ainda oferece motor mais potente. Nota 9.
Total – O Chevrolet Astra 2010 somou 68 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir
Vigor na maturidade



   
  O que mais impressiona no Chevrolet Astra é, sem dúvida, o upgrade de desempenho pelo aumento da potência para 140 cv – com álcool. Até porque o visual pouco mudou de 11 anos para cá. O motor também é antigo, data do Monza dos anos 80, mas foi bem modernizado. Daí as arrancadas generosas, beneficiadas pelo câmbio bem escalonado, com engates curtos e precisos. Bastaram 9,9 segundos para ir da inércia aos 100 km/h.
    As retomadas não ficam atrás. Em quarta, o 60 km/h a 100 km/h é obtido em 7,3 segundos. Esta performance pode ser creditada ao torque máximo disponível cedo, logo aos 2.600 giros, que mantém o sempre motor cheio. Mesmo em subidas de serra. Em trechos de curvas, aliás, é possível verificar a estabilidade satisfatória do hatch. Isso porque nas mais fechadas e sinuosas, o modelo fez menção de jogar a traseira. Já nas retas, a comunicação entre rodas e volante vacila só acima dos 170 km/h, relativamente próximo aos 195 km/h de máxima.
    A concentração de peso na frente faz com que o Astra embique nas freadas e pouco empine nas arrancadas. Já a suspensão é bem calibrada. Garante o conforto ao filtrar as irregularidades da pista. No mais, o velho Astra de sempre: ergonomia falha, bom espaço para pernas, carência de porta-objetos e acabamento honesto. No consumo, louváveis 7,8 km/l com álcool em uso 2/3 urbano e 1/3 rodoviário em uma era de modelos flex beberrões.

Ficha técnica
Chevrolet Astra 2.0 Flexpower


  Motor
: A álcool e a gasolina, dianteiro, transversal, 1.998 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples de válvulas no cabeçote. Injeção eletrônica de combustível multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 133 cv a gasolina e 140 cv a álcool a 5.600 mil rpm.
Torque máximo: 18,9 kgfm com gasolina e 19,7 kgfm com álcool a 2.600 rpm.
Diâmetro e curso: 86,0 mm X 86,0 mm. Taxa de compressão: 11,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braço de controle ligado ao subchassi, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra de torção. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas progressivas do tipo barril com diâmetro variável e amortecedores hidráulicos. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Dianteiros a discos ventilados e traseiros a tambor. Não oferece sistema ABS com EBD.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,19 metros de comprimento, 1,70 metro de largura, 1,43 metro de altura e 2,62 metros de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.
Peso: 1.180 kg em ordem de marcha, com 500 kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 370 litros/1.180 litros com o banco traseiro rebatido.
Tanque de combustível: 52 litros.

Comentários

Não há comentários para este artigo.

Para postar comentários é necessário ser cadastrado no nosso site. Deseja se cadastrar gratuitamente?

Motor Dream
MortorDream - Rua Goethe, 55 Botafogo - Rio de Janeiro , RJ - Cep: 22281-020 Copyright © 2009 - Todos os direitos reservados.
GEO: -22.953434, -43.194393
Webroom - soluções interativas