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VW Eos: Sem teto nem fronteiras

05/09/2009 09:15  - Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/CZN
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VW Eos: Sem teto nem fronteiras

Caro e sofisticado, cupê-cabriolet Eos tem missão de “globalizar” a imagem da Volkswagen no Brasil

por Diogo de Oliveira
Auto Press

especial para MotorDream

    Automóveis são feitos para vender. Mas nem sempre esse é o objetivo principal. O Volkswagen Eos é um exemplo claro de carro de imagem. O cupê-cabriolet tem função estratégica no Brasil. Assim como outros modelos da fábrica alemã, como o utilitário-esportivo Tiguan e o cupê de quatro portas Passat CC, sua presença no mercado brasileiro visa fortalecer uma imagem de marca mundial. Preocupação justificável numa época em que a Volkswagen sonha com a liderança entre as fabricantes de veículos no planeta, atualmente nas mãos da Toyota. Não por acaso, a montadora é a que oferece hoje o maior número de importados no país entre as marcas generalistas. E o Eos, independentemente das escassas 62 vendas – média de 7 emplacamentos/mês –, tem seu papel neste projeto. Repleto de novas tecnologias, como o motor 2.0 TSI com injeção direta e turbo, o cupê-conversível ostenta sofisticação e refinamento. Para uma marca que ainda mantém em linha o seu primeiro modelo fabricado no Brasil – a Kombi, lançada em 1957 –, o contraste é brutal.

    É exatamente essa busca de uma imagem mais sofisticada e cosmopolita que faz o Eos chegar apenas na versão turbinada. Com preço único de R$ 159.900, o modelo destinado ao Brasil sai completo da fábrica da Volkswagen em Palmela, cidade portuguesa vizinha à capital Lisboa. Só as pinturas metálica e perolizada são cobradas à parte – R$ 1.310 e R$ 1.865, respectivamente. Pelo preço, o cupê-cabriolet não tem concorrentes. Mesmo porque os únicos credenciados a disputar vendas com o Volkswagen – o Peugeot 307 CC e o Renault Mégane CC, ambos importados da França – ganharam novas gerações recentemente na Europa. E as poucas unidades que restaram nos estaques brasileiros estão à venda por preços muito abaixo do Eos: o Peugeot custa R$ 136.400, enquanto o Renault sai por R$ 106.050. De qualquer forma, em termos de tecnologia, nenhum dos dois se aproxima do conversível da marca alemã.



    A começar pela mecânica. O motor 2.0 litros TSI a gasolina do Eos tem bloco em alumínio, duplo comando de válvulas e sistema de injeção direta de combustível associado a um turbocompressor com intercooler. A moderna unidade de força produz 200 cv de potência aos 6 mil rpm e um torque máximo vigoroso de 28,5 kgfm, disponível integralmente entre 1.700 rpm e 5 mil giros – bem mais que os 138 cv do Renault e os 143 cv do Peugeot, ambos com motores 2.0 16V aspirados. O propulsor do Eos vem ainda acoplado ao sofisticado câmbio mecânico automatizado sequencial de dupla embreagem e seis velocidades, com “ paddle-shifts ” no volante para trocas manuais. A engenharia do cupê-cabriolet oferece também suspensão independente nos dois eixos. Na frente, a estrutura é do tipo McPherson, e atrás é Multilink, com braços sobrepostos.

    Como em qualquer cupê-conversível, o maior charme do Eos é o teto rígido retrátil. A estrutura é acionada por um botão próximo do apoio de braço central, entre os bancos dianteiros, e tem o movimento controlado por um sistema eletro-hidráulico. Leva 25 segundos até guardar por completo o teto no porta-malas. O tempo não chega a impressionar. O sistema do Mégane CC, por exemplo, leva 22 segundos. Por outro lado, o modelo Volks tem um defletor sobre o para-brisas que filtra a turbulência causada pelo vento no modo conversível. Também como em todo cupê-cabriolet, o bagageiro do Eos fica consideravelmente reduzido com o teto rígido escamoteado – cai de 380 litros para 205 litros apenas. Mas este é um dado pouco relevante para os consumidores de cupês-cabriolet. E o Eos ainda oferece um compartimento “ protegido ” no porta-malas, uma espécie de caixa que impede que objetos guardados ali sejam danificados pelo movimento de abertura e fechamento do teto.

Veja mais fotos do Volkswagen Eos 2.0 TSI


   
   O pacote tecnológico do Eos é complementado por uma vasta lista de série. Na parte de segurança, ele traz airbags frontais e laterais, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, faróis bixênon autodirecionais com lavadores, freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, além do sistema de proteção em capotamentos – dois santantônios emergem próximos dos encostos de cabeça dos bancos traseiros para proteger os ocupantes. Já a relação de itens de conveniência reúne “obrigatórios” ar-condicionado automático digital de duas zonas, direção hidráulica progressiva e trio, mais sensores de chuva, luminosidade e obstáculos traseiro, controle de cruzeiro, aquecedores dos bancos dianteiros, desembaçador para os espelhos laterais, revestimento em couro nos bancos e portas com três opções de cor, volante multifunção e rádio/CD/MP3 com disqueteira para seis CDs e entrada auxiliar. E não bastasse ter o teto rígido retrátil, o Eos tem um teto solar elétrico enorme sobre os bancos dianteiros. Tudo para dar o toque de glamour e exclusividade que a Volkswagen quer ter. No Brasil e em todo o mundo.

Instantâneas



# Além dos equipamentos de série, o Eos traz bancos dianteiros esportivos com regulagem de altura no assento do condutor, ajuste de altura e profundidade para a coluna de direção e diversos detalhes de acabamento interno, com anéis cromados nas saídas de ventilação e painel com peças plásticas em duas cores – preto e bege.
# O Volkswagen Eos foi lançado na Europa em setembro de 2005, durante o Salão do Automóvel de Frankfurt, na Alemanha. Antes disso, no início de 2004, o modelo foi apresentado como o protótipo Concept C no Salão de Genebra, na Suíça.
# Antes de ser lançado no Brasil, no início deste ano, o Eos foi exibido em 2006, no Salão do Automóvel de São Paulo. A Volkswagen não explica o porquê do coupé-cabriolet ter levado tanto tempo para chegar.
# O Volkswagen Eos usa a mesma plataforma compartilhada com o utilitário-esportivo Tiguan e o Golf  de quinta geração, cuja variante sedã Jetta é importada do México para cá. Esta estrutura, denominada pelo código PQ35, foi a primeira da Volkswagen entre as médias a oferecer suspensão independente nos dois eixos.

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Ponto a ponto


Desempenho – O Volkswagen Eos é um carro evidentemente concebido para passeios tranquilos, sobretudo com a capota rígida aberta. Mas o propulsor 2.0 TSI com injeção direta de combustível e turbocompressor confere ao cupê-conversível um comportamento bem “nervoso”. Aos 1.700 rpm, o motor já entrega o torque máximo de 28,5 kgfm, que gera arrancadas e retomadas vigorosas ao menor contato do pé direito com o pedal do acelerador. Com o torque disponível por inteiro até os 5 mil giros, a unidade de força se mantém cheia praticamente em tempo integral, auxiliada ainda pelo excepcional funcionamento do câmbio automatizado sequencial de dupla embreagem e seis marchas. Graças a ele, as trocas são suaves e precisas, sem trancos ou espaçamentos entre as relações. Com o conjunto, o Eos vai de zero a 100 km/h em 7,9 segundos e chega à máxima de 225 km/h. Nota 9.
Estabilidade – No modo cupê, a carroceria se mantém neutra mesmo em manobras intensas, com postura firme sobre o asfalto. Para um conversível, mesmo com o teto rígido retrátil aberto, a estrutura torce pouquíssimo nas curvas. A estabilidade em retas e curvas é bastante boa. Para tornar o passeio ainda mais tranquilo, o cupê-cabriolet conta com os controles eletrônicos de estabilidade e de tração e freios a disco nas quatro rodas com sistemas ABS e EBD. Nota 8.
Interatividade – O cupê-cabriolet da Volks oferece múltiplas regulagens para o motorista. Há ajuste de altura no assento do condutor, feita manualmente por meio de uma alavanca lateral. Também há regulagem elétrica do apoio lombar, da altura e da profundidade do banco. Uma vez feito o ajuste, os todos os comandos ficam bem posicionados, com acessos livres. O quadro de instrumentos oferece ótima leitura, no padrão Volkswagen, que combina tons de azul com ponteiros vermelhos. Já o sistema de áudio com leitor de MP3, disqueteira e entrada auxiliar permite o ajuste do equalizador do som por botões independentes. Outro destaque no Eos é o volante multifuncional coberto em couro, que ainda permite ajuste manual de altura e de profundidade. A peça traz comandos do rádio/CD, do computador de bordo e do controle de cruzeiro, além das borboletas para trocas manuais de marcha. Nota 9.
Consumo – O sofisticado motor 2.0 TSI até que anotou uma média razoável. Foram 7,5 km/l de gasolina, em trechos com 2/3 de cidade e 1/3 de estrada. Nota 6.
Conforto – Os bancos largos, com apoios laterais pronunciados nos dianteiros, acomodam os passageiros com primor. O espaço para pernas na frente agrada, mas o vão para cabeças é limitado. Viajar atrás, só mesmo em curtas distâncias, já que os espaços são bastante exíguos. Já o conjunto de suspensão transmite ao habitáculo boa parte da turbulência provocada pela buraqueira do asfalto, por conta da calibração mais rígida para suportar um desempenho agressivo e dos pneus de perfil baixo. O isolamento acústico, além de não filtrar totalmente os ruídos externos, deixa entrar o barulho do motor com excessiva intensidade após os 4 mil rpm. Nota 7.
Tecnologia – O Eos é um veículo tecnologicamente contemporâneo. Na parte mecânica, o modelo oferece o motor 2.0 TSI com injeção direta de combustível e turbocompressor associado ao câmbio automatizado sequencial DSG de dupla embreagem e seis marchas – com “ paddle-shifts ” atrás do volante para as trocas manuais. Entre os itens de segurança, há airbags frontais e laterais, freios com ABS e EBD, além dos controles de estabilidade e de tração. O pacote de série bem recheado traz ainda ar digital de duas zonas, sensores de chuva, luminosidade e obstáculos traseiro, faróis bixênon autodirecionais com lavadores, controle de cruzeiro, retrovisores laterais com desembaçador, bancos, volante e manopla do câmbio em couro. Sem esquecer da capota rígida retrátil, com abertura por sistema eletro-hidráulico. Nota 9.
Habitabilidade – O cupê-conversível da Volks tem limitações inerentes aos modelos do gênero. Os acessos aos assentos dianteiros são lateralmente amplos, porém baixos. Já os bancos traseiros devem ser evitados por adultos que estejam fora de forma, pois o acesso exige contorcionismo. A posição dos cintos de segurança dianteiros também requer alguma elasticidade. Já o porta-malas leva bons 380 litros com o teto fechado. O volume cai para 204 litros com a capota aberta. Mas o Eos é generoso em porta-objetos. E ainda oferece a sempre instigante possibilidade de se passear com o teto aberto. Nota 8.
Acabamento – A Volkswagen optou por trazer para o Brasil apenas a versão turbinada do Eos, como parte da estratégia de enfeitar suas concessionárias com modelos mais refinados. E o cupê-conversível cumpre bem essa função, com peças de texturas agradáveis e aparência refinada – apesar da predominância de plásticos rígidos no painel. Os encaixes são precisos e não há rebarbas. Destaque também para a cobertura em couro no volante, portas, manopla do câmbio e bancos, com três opções de cor. Nota 8.
Design – A dianteira do Eos lembra um pouco o desenho da linha Polo nacional. As laterais e traseira são mais arrojadas, com o caimento acentuado do teto e as lanternas afiladas que invadem a tampa do porta-malas iluminadas por leds. As linhas até tem harmonia, mas não impressionam tanto quanto se espera de um conversível tão caro. Nota 7.
Custo/Benefício – Disponível em versão única por R$ 159.900, o Volkswagen Eos é o mais caro dos cupês conversíveis das marcas generalistas. Os rivais Peugeot 307 CC e Renault Mégane CC têm preços mais acessíveis, de R$ 136.400 e R$ 106.050, apesar de ambos terem ganhado novas gerações na Europa recentemente. Nem o nível de sofisticação justifica um valor elevado. Nota 4.
Total – O Volkswagen Eos somou 75 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir
Brincar ou correr


   
   Conversíveis são raros de se ver nas ruas brasileiras. Por isso, inevitavelmente, o Volkswagen Eos arrebata olhares curiosos por onde passa. Mas, além de curiosidade, o Eos também desperta encantamento, por seu inegável caráter lúdico. Como no teto rígido retrátil, onde o sistema eletro-hidráulico faz um movimento robótico envolvente, que leva 25 segundos até recolher a estrutura no porta-malas. Ou as borboletas para acionamento das marchas do volante, que também reforçam esse “ ar de brinquedo ” do conversível da Volkswagen.
    A bordo do cupê-conversível, porém, o que mais chama a atenção é a abundância de eletrônica embarcada e a engenharia sofisticada. A começar pelo potente motor 2.0 TSI, com bloco em alumínio, injeção direta de combustível e turbocompressor com intercooler. A unidade de força de 200 cv e vigorosos 28,5 kgfm de torque se mantém cheia praticamente o tempo inteiro, com respostas prontas ao menor toque no pedal do acelerador. O desempenho forte é confirmado nos números. São 7,9 segundos para ir de zero a 100 km/h e apenas 4,7 segundos para arrancar de zero a 60 km/h. Nas retomadas, a disposição também impressiona. Bastam 5,8 segundos para recuperar o fôlego de 60 km/h a 100 km/h, no modo sequencial.
    O coração de tanta disposição é o turbocompressor, que faz o motor TSI despejar todo o torque máximo de 28,5 kgfm durante uma faixa extensa de giros, que vai dos 1.700 rpm até as 5 mil rotações. A combinação com o câmbio automatizado de dupla embreagem e seis velocidades reforça ainda mais a virilidade no cupê-cabriolet, com trocas extremamente ágeis e um escalonamento preciso, sem engasgos ou buracos entre as relações. No modo sequencial, essas trocas são feitas de forma dinâmica e inteligente. E ainda há a opção de trocas manuais através dos “ paddle-shifts ” no volante.
    O desempenho “apimentado” pode ser desfrutado mesmo em altas velocidades. Nas curvas, a carroceria torce menos que o habitual nos conversíveis. Já no modo cupê, com o teto fechado, o modelo transmite ainda mais segurança e esbanja neutralidade. O peso mais rígido da direção ajuda a ampliar essa sensação. Nas retas, a carroceria se mantém equilibrada, sem produzir sinais de flutuação até a máxima de 225 km/h. No modo conversível, um interessante defletor de ar na parte superior do para-brisas filtra bastante a turbulência natural que surge a partir dos 100 km/h. No entanto, o sistema é eficiente até os 120 km/h. Depois disso, o ruído do vento se torna excessivamente presente à medida que o carro ganha velocidade.
    Para reforçar a segurança, o cupê-cabriolet da Volks conta com um “ arsenal ” eletrônico. Há controles de estabilidade e de tração, freios com ABS e EBD, além de airbags frontais e laterais e um sistema de proteção em capotamentos – santantônios que emergem dos encostos de cabeça. O recheio na parte de conforto e conveniência também é grande. Lá estão também ar digital de duas zonas, couro no interior com três opções de cor, volante multifunção, aquecimento individual para os bancos dianteiros, sensores de chuva, luminosidade e obstáculos traseiro, entre outros. Para quem se dispõe a desembolsar o preço elevado de R$ 159.900, o Eos oferece uma boa dose de glamour com generosas pitadas de diversão. E essa é exatamente a proposta da Volkswagen com o cupê-conversível.

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Ficha técnica
Volkswagen Eos 2.0 TSI
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.984 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo de válvulas no cabeçote. Injeção direta de combustível, acelerador eletrônico e turbocompressor intercooler.
Transmissão: Câmbio mecânico automatizado sequencial de dupla embreagem e seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração de série.
Potência máxima: 200 cv a 6 mil rpm.
Torque máximo: 28,5 kgfm entre 1.700 rpm e 5 mil rpm.
Diâmetro e curso: 82,5 mm x 92,8 mm. Taxa de compressão: 9,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Traseira independente do tipo Multilink, com braços sobrepostos, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Cupê-conversível em monobloco com duas portas e quatro lugares. Dimensões: 4,40 metros de comprimento, 1,79 m de largura, 1,44 m de altura e 2,58 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais e laterais dianteiros de série.
Peso: 1.560 kg em ordem de marcha. Carga útil: 460 kg.
Capacidade do porta-malas: 380 litros/205 litros no modo conversível.
Tanque de combustível: 55 litros.

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